Entrevistado: Enrico Graziera

 

Apresentação

Eu sou formado em Publicidade e Propaganda com ênfase em Design Gráfico na UERGS (Rio Grande do Sul), trabalhei como designer gráfico no Brasil por 6 anos. Eu tinha um estúdio (eu e um amigo) e fazíamos branding, fazíamos design gráfico simples, cardápio e coisas assim possíveis do cardápio coisas assim, planejamento… e o que aconteceu foi que quando eu estava no Brasil, eu comecei a me aproximar do situacionismo (movimento situacionista) e  eles têm essa uma coisa que é a teoria da deriva que é o caminhar como um processo criativo e daí  eu e meu amigo desse estúdio entramos numa open call da prefeitura de Porto Alegre e nós conseguimos uma bolsa para criar branding para pequenas empresas através disso então foi mais ou menos assim que eu trabalhei nos últimos 3 anos no Brasil, em parceria com a prefeitura fazendo branding para empresas de Classe média baixa e foi assim também que eu decidi fazer o mestrado. Eu queria me distanciar um pouco da parte mais do “produto do design gráfico”, do “vender” e do marketing e queria voltar mais para a cultura e para a arte, para a educação. Então eu decidi vir para fazer um mestrado em Gestão Cultural. Hoje em dia eu trabalho no Local, onde eu e o Batuca fazemos a curadoria dos artistas. Eu trabalhei um ano e meio nos Ossos do Ofício que é uma casa de concerto com galeria em Alcobaça. Eu trabalhei lá muito tempo e eu trabalhei no baleal num café a casa do show também mas hoje em dia trabalho no local e tenho o coletivo com a Maria, que é uma amiga minha que o nome é  “Porvir Coletivo”.  Nós trabalhamos com algumas escolas primárias e secundárias e com parceria com a CAU (Cortem Aldeia Urbana). Vamos até as escolas públicas (somos já 5 escolas) e ensinamos o exercício da deriva que é o caminhar como uma prática estética e através dessa caminhada eles têm de desenhar ou expressar o que eles olham que eles percebem nessa caminhada. É essa ideia do lúdico construtivo não é? Mais ou menos isso que nós temos feito agora.

Qual tua nacionalidade?

Brasileiro. Uso aqui meu passaporte italiano. E vivo nas Caldas da Rainha.

Nasci em Porto Alegre. Vivi em Porto Alegre e no Uruguai um tempo (em Montevideo), fiz um semestre da minha graduação em Montevideo e tenho família no Uruguai então fui e voltei algumas vezes para lá. Minha família também está dividida e tem uma parte nos Estados Unidos, então morei um tempo também nos Estados Unidos. Quando meus avós vieram da Itália um irmão foi para os Estados Unidos e o resto foi para o Brasil, então… mas eu cresci em Porto Alegre eu posso dizer que eu a minha vida quase toda foi em Porto Alegre.

A relação com a ESAD

Eu sou aluno do Mestrado em Gestão Cultural e eu gosto muito, sinceramente.

Eu vim de uma realidade que as pessoas falavam um pouco mal das universidades em Portugal (pelo menos no meu círculo) e eu me surpreendi com a ESAD.  Eu tive professores incríveis e sempre abertos ao contato (salvo as exceções), mas de maneira geral é uma escola muito prática. Tem a teoria, que eu acho extremamente importante, mas presa pela prática, por fazer e botar a mão na massa então eu tenho uma relação muito boa e eu tento usar o máximo esse contato.

O espaço físico da ESAD

Aí, acho que tem um ponto um pouco falho. Eu acho que a ESAD e a cidade… não quero dizer que estão totalmente separadas, mas um pouco distantes. Eu Não vejo essa associação muito grande, não vejo entrelaçar… vejo estudantes da ESAD de um lado, os moradores da cidade de outro. Eu acho até que não tem aquele baque cultural, consegue ver as pessoas da escola quando caminha (que consegue ver pela vestimenta quem são) mas eu acho que a Malta que mora aqui já não leva um choque mais. Pelo menos isso. Talvez a cidade depois de 30 anos pode até não concordar com os valores, mas não se choca mais. Acho que é um começo… Mas eu não vejo aproximação de integrantes. Eu não acho que a escola sabe usar a cidade e a cidade sabe usar a ESAD. Parece que ambos querem , mas na prática não consigo ver muito esse contato. Talvez o “Caldas late Night”, mas ele não é da escola e a escola não quer se envolver… mas sinceramente a escola até divulga mas não se envolve.

Cenário cultural da cidade

Para o tamanho de  Caldas da Rainha , “OK!”, mas pelo facto de haver aqui uma escola de artes e design poderia ter muito mais.  Comparado com cidades do mesmo tamanho em Portugal, acho até que tem uma vida cultural (não digo festa, digo tem artistas, exposições, etc) mas poderia ter muito mais. Tem muita gente que me disse que há uns 10 anos atrás foi maior… teve um boom maior. Eu estou aqui há um ano e meio vou fazer dois e acabo mestrado. Não sei se é tempo suficiente para criar uma raiz emocional, psicológica e mais geográfica que preciso com o espaço. Ainda mais para gente que não é o nosso país de origem… temos um olhar diferente, apesar de termos a mesma língua, não é a mesma cultura.

ESAD e alunos estrangeiros

Tive professores interessados, perguntando da minha realidade, para trazer o contexto da minha região do Brasil, o que sempre foi muito agradável. Não era uma posição da escola e sim de determinados professores. Tive outros professores que não tinham conhecimento mínimo do Brasil no sentido cultural e acham que lá é tudo uma Loucura.

Eu Não sei porquê para escola, eu sou italiano, depois eu entrei na escola com meu passaporte italiano e sou um cidadão da União Europeia, e portuguesa ou italiana é a mesma coisa. Pago como um português. Porque não existe diferença entre União Europeia e Portugal na educação. Eu sei que existe alguma coisa, pois recebo no e-mail, mas é muito institucional e não é uma coisa muito prática, muito pautada, muito acessível.