Entrevistada: Zulmira Maria Couto

 

Moradora da Aldeia Do Carvalhal Benfeito


Sobre ela...

Zulmira Maria Couto, 81 anos.

Nasci mais em cima, um bocadinho, mas aqui perto. Tanto que eu pertencia a Santa Catarina a freguesia de Santa Catarina e agora sou da freguesia do Carvalhal.

Questionada sobre nunca ter vivido em outros lugares...

Foi pena. Nunca. Mas saí daqui muitas vezes... daqui aliás, da casa onde eu me criei. Fui à escola, que eu fui para a escola tinha 8 anos. Que a minha mãe não me queria deixar aí que os antigos eram assim e não é como agora... Depois vinha a polícia e assim e ela teve que me deixar ir aos 8 anos. E aos 8 anos fui para a escola e fiz a terceira classe, depois não fiz a quarta, porque naquele tempo, aos 12 anos acabava a escola. Se aprendesse, aprendia. Se não aprendesse... Ainda me lembro de uma rapariga (já morreu) que quando a professora lhe disse “Olha! A partir de agora não podes vir mais” (ela tinha uns 12 anos), ela chorou tanto, tanto, nos degraus da porta da escola... nunca me esquece isto.

Aos 12 anos se saia da escola e se arrumava trabalho. Trabalhar com inchada é óbvio... pois naquele tempo não havia mais nada só se havia assim pra se servirem... está a perceber? Se tinham 5 filhos era menos um comerem....  ia para ali para aquela para aquela casa, trabalhava lá, às vezes de trabalhos bem duros a lá comi, lá dormia e era assim.… podia lá estar 2, 3 anos... depende... não sendo isso, inchada.  Éramos 7, mas a minha mãe teve 12 filhos. Teve 2 gémeos 2 meninas gémeas que não conheci... morreram. Teve outro a que se fosse vivo, tinha agora 83 ou 84. Também morreu. Houve um na sei se foi esse, foi um outro... A minha mãe casou 2 vezes a minha mãe casou tinha 3 filhos do primeiro marido e depois ficou viúva, com 20 e poucos anos. Depois casou meu pai o meu pai já tinha 40 anos quando casou, parece... que ouvia ele dizer...

Mas voltando ao caso, a minha mãe teve 12 filhos, mas nós estávamos 7 vivos. 4 do meu pai e 3 do primeiro marido dela e então eu saí da escola fiz a quarta já agora no fim está casada e tinha 11 anos tinha 11 anos, era uma garotinha quando fui eu a Vale de cavalos (era o senhor Maia), fomos para lá... fui para lá com 11 anos, com uma enxadinha raspar vinha, cortar as ervas das vinhas, dar água ao com canecos a cabeça e foi assim andávamos ali 3 meses sem vir a casa... havia sempre uma casa onde nós estávamos a nossa cama era uma esteira... a gente ali estendia as mantas e dormíamos com outra manta por cima e era assim. Não era lá em condições, mas pronto. Andei lá uns 3 meses, lá andar pelo São Pedro, íamos em abril e vínhamos pelo são Pedro... Depois quando vínhamos, geralmente o senhor que nos levava para lá, era o mesmo que trazia porque eu lá fui só um ano depois passei a ir a Santarém e Santarém foi a minha vida até aos 21 anos... ir e vir, vir e ir pois íamos para a vindima esparrar a vinha que é tirar as parras para as uvas ficarem mais à mostra para ganharem mais sol para o vinho ser mais doce, mas pronto.

Depois casei. Com 22 anos. Mas ainda choram meus olhos por esse tempo, apesar de ser amargo... é sem dúvida... a gente andava ali, trabalhamos!  Sim, senhora! Mas ficávamos à noite, cantávamos dançávamos... pronto... fazia-se ali uma festa!

Então... aos 21 anos já não fui mais, casei tinha 22 para 23. Mas se foi mau antes, mau foi depois...

Sobre ir p Caldas

Quando preciso de alguma coisa, eu vou... Fui há muito tempo que a gente trabalhava na roça, tinha morangos grandes, ai pois era apanhar os morangos pois era trazê-los ir para casa e a luz já da lanterna que nesse tempo ainda não havia assim a luz e depois era escolhê-los os maiores aqueles... tinham 3 tamanhos pra gente fazer 3 preços e daí vendia na Praça.

Parei de ir para lá para vender já a minha cachopa (a mãe do Bruno) já era nascida e é mais nova ela é a mais nova.

Hoje em dia é quando eu quero ir àquela loja, ou quero ir às finanças... assim, antes ia ao Centro de Saúde... a gente ia lá muito, mas agora não porque agora a estas coisas são aqui por fora e o meu é em Salir Matos.

Olha, nunca fui nunca fui ao museu do Malhoa, mas também aquilo... acho que não se aprende lá nada...

Sobre a ESAD...

Não. Nunca fui lá. Nem sei onde é que é a escola de artes. É ali no Parque?

(Depois de explicarmos a localização)

Não é onde era antigamente, antigamente o hospital de Santo Isidoro?