Entrevistado: Daniel Filipe de Jesus Vieira

Ex-aluno ESAD-CR

 

Sobre o entrevistado

Daniel frequentou e é ex-aluno da ESAD-CR.

Frequentou o curso de Design gráfico e multimédia 14 anos atrás. Fez 2 anos e meio do curso. Português, natural das Gaeiras. Frequentou o liceu nas Caldas e depois entrou na ESAD, também nas Caldas. 

O Centro histórico é uma Vila histórica que acaba por viver muito a base do turismo e muito pouco a base do comércio. Ou seja, nós para ir ao supermercado, tínhamos que ir às Caldas.

Perceções sobre a escola

Éramos o parente pobre do IPL. OK, provavelmente ainda continua assim... Mesmo em termos de condições e lá está, já passou muito tempo e hoje em dia custa-me um bocado, ou seja, posso entrar na ESAD, mas não entro dentro das salas de aulas, vejo por fotografias... as coisas estão muito melhores porque pelo menos visto de fora reprografia está tipo 10 vezes maior, mesmo a biblioteca, está 10 vezes melhor mesmo em termos de condições em termos de salas de aula acho sinceramente que está melhor, ou seja, visto de fora, porque ainda não tive propriamente coragem para voltar. Ou seja, apesar de ter voltado e escrever não voltei a entrar devido as pressões. Eu acho que, sendo das Caldas e estando na escola, sinto que não aproveitei ao máximo a minha estadia na escola. Realmente nunca me senti propriamente tão integrado na escola porque muitos dos meus colegas acabavam por se juntar em grupos depois da escola e eu acabava por voltar para minha casa, para a casa da minha mãe. Ficava um bocadinho mais fechado, ou seja, porquê porque tinha os meus colegas que eram os meus colegas na escola que no juntávamos para fazer trabalhos, claro... que saíamos à noite uma vez por semana... e pessoalmente, achei que a escola não tinha as condições que precisava e na altura os alunos eram muito menos do que que são hoje e o facto de ser daqui não ajudou a minha integração com o espírito que se vivia na altura

Tempo livre

Costumo, um bocado, não sair da minha zona de conforto que é evidente... ou seja, tenho os meus projetos, que estiveram parados durante algum tempo, mas que vão voltar. Em termos de espaços, os espaços que eu frequento, ou seja, estamos a falar de mais de espaços culturais a costumo vir aqui ao museu (Malhoa). Por acaso, é um sítio agradável, costumo vir muitas vezes... antigamente até vinha ao domingo de manhã que era de borla (gratuito). Ao CCC (menos) vou muito a espaços culturais em Óbidos, ou seja, todos os museus... eu sei que estamos a falar das Caldas, mas como com a proximidade de Óbidos, há muitos espaços culturais em Óbidos e eu acho que até devia haver mais, que são muito interessantes. Um sonho que eu tenho que é expor um dia na Galeria ogiva que é na rua direita que é fantástica.

Também frequentei o posto de turismo, ou seja, a Galeria do posto de turismo onde expus, ou seja, gosto de ir ver as exposições, mas há 4 anos eu não conhecia... Também a parte dos Silos que já frequentei bem mais agora lá está... o facto de a pandemia acabei por ficar tanto mais em casa e os Silos é um sítio onde também funciona muito à noite e eu trabalho durante muito tempo à noite e não dá...

Mas parece realmente que frequento mais espaços culturais em Óbidos do que nas Caldas neste momento. Antes da pandemia, cheguei a ir a alguns também lá em cima na igreja de São João de Deus fui de 2 concertos e cheguei a vir aqui aos Céus de Vidro, quando realmente se faziam aqui eventos no Céus de Vidro... muito antes pré pandemia.

Sobre a relação com pessoas da ESAD...

Antigamente havia sempre gente que ia ficando, ou seja, venho aqui 5 anos identifico-me com a cidade, é um sítio agradável e fica... Eu  acho que o número tem vindo a diminuir. O mundo também mudou. Agora, as pessoas com quem me dou... eu conheço pessoas de lá, eu conheço um professor e gente que acabou o curso e que ficou, já trabalhei para um rapaz que estudou lá e tem um grande amigo que fez um casal de amigos que quase que iniciou a ESAD, ou seja, que veio para cá e por isso que eu também vejo isso a 20 e não sei quantos anos e ficaram casaram e têm uma filha... Agora, no meio artístico não me dou com muita gente.

A escola na cidade

Se nós falarmos com pessoas das Caldas que não conheçam ninguém da ESAD, nem conheço também a história dela, nem tenham envolvência... eles pensam que as pessoas que andam no ESAD são só estranhos e malucos. Portanto não está muito Longe da verdade... Há muitos um estigma de “a escola dos maluquinhos” ... o que acontece é a Malta da ESAD dava-se com a malta da ESAD... As pessoas de cá têm uma atitude de “novo ritmo” que quer manter a distância a com a escola. Isto não sei se ainda será tanto assim, mas era muito assim

Existe o Caldas Late Night...e tornou-se um evento altamente comercial e deixou-me muito a desejar, tudo bem que a organização passou a ser muito melhor, mas o nível cultural baixou.

Na minha perceção, a ESAD sempre foi um bocadinho, de outsiders...

Eu notei e noto que não é só as pessoas da cidade, ou seja, são todos os as pessoas que andam à volta da cidade (mais uma vez chamar burros) mas que têm uma ignorância que seja, perante uma situação que não conhecem, ou seja, muitas vezes é nossa reação ao medo. Muitas das vezes, a nossa reação ao medo é mesmo essa de a gente afastar, dizer mal e dizer que são uns malucos...

Isto é a minha perceção e posso estar completamente errado... agora realmente é tentar aproximar isso e eu também acho que às vezes o facto de criar nos próprios espaços, sítios aonde pessoas frequentam, arte. Como galerias por exemplo, a quase 20 anos.

apesar de termos uma escola e temos bastantes sítios aonde onde se possa mostrar os elementos artísticos criados na escola eu continuo a achar que, apesar de haver muitos espaços, deveria haver mais... aonde onde eu vejo muitas das vezes, coisas a serem criadas e nas ruas, mesmo as ruas ou seja os graffitis e já houve mais... já houve... já foi diferente. Dá para perceber que que existem na escola de artes aqui, mas mesmo assim eu acho que não chega. E acho que deveria realmente ser um sítio onde se mostrasse mais, onde a simbiose fosse maior...

É preciso mais, por exemplo mais eventos como como está a ter o MAGA agora que faz sentido, puxar as pessoas... eu com o MAGA, já falei a 3 pessoas do género... falei com o rapaz ontem que trabalha comigo que que estuda lá e eu achei interessante. Porque muitas das vezes, não sei se não é divulgado, se as pessoas não têm alguém que puxe por elas, que argumento...