Entrevistado: GRAVE COLETIVO

 

Pedro Rolo

Lucas Veloz

Vicente Faria

 

Grave Coletivo - A rua como cola.

Pedro Rolo: O Coletivo Grave sou eu Pedro Rolo, é o Lucas Veloz e o Vicente (Vicente Faria). Somos 3.

Vou, se calhar, falar um bocadinho de mim assim de consigo dar o contexto do cenário todo.

Eu já estou nas Caldas faz este ano 10 anos. Vim pra ESAD, porque fiquei, acabei a ESAD, o mestrado... Agora há coisa de quê? de 1 ano e pouco, 2 anos, através do Instagram, eu descobri o um coletivo que era O PORÃO que pertence ao Lucas e de outros colegas dele e sempre tive esse interesse no coletivo deles, da imagem que eles tinham e tudo mais. Entretanto Lucas vem para as Caldas, aliás para a Foz do Arelho. E estamos num cenário disto já pandemia e covid e tudo, quarentena... eu sabia que ele estava cá, mas estávamos todos como se tivéssemos cada um numa ilha. E quando surgiu a oportunidade de conhecer o Lucas e começar a falar com ele... o que as Caldas... porque ele também tinha a curiosidade... ele veio para as Caldas e acho que seria no sentido de ele vem de Lisboa que já vem de uma área muito conhecida e com muita coisa e a tradição de Lisboa para outra cidade em Portugal o facto de ter escolhido as Caldas foi um bocadinho se calhar por causa da ESAD que é um movimento artístico, se calhar, de uma mente mais aberta que outras escolas que hajam em Portugal e todo este  cenário de conversa, comecei a conhecer Lucas e eles começaram a partilhar atelier que é mesmo aqui ao lado e o facto de estarmos sempre os 3 juntos a falar alguém partilhar, surgiu a ideia de começar um novo coletivo, não só um coletivo fechado entre os 3, mas um coletivo onde queremos abranger todas as pessoas e todas as áreas. Acho que é um bocadinho por aí...

 

Vicente Faria: Eu vim pra ESAD prestar licenciatura em Design Gráfico, depois acabei por ficar para fazer um mestrado em artes plásticas, e no mestrado que eu conheci o Pedro Rolo, nós partilhávamos ateliê os 2 juntos... depois, muito mais tarde acabei por conhecer o Lucas, numa exposição dele no senhor Jacinto e foi a partir daí que, se calhar, começou a haver mais aquela união dos 3 e quando conheci o Lucas fomos partilhar atelier os 2 juntos e nós estamos a partilhar e foi a partir daí que nasceu aquela necessidade de compartilhar ideias e ter quase um saved space em que podíamos estar todos juntos podemos falar do que cada um estava a fazer sem haver qualquer tipo de crítica (claro que há crítica mas) não em termos de não valorizar o trabalho de cada um e ajudar cada uma conseguir subir naquilo que está a fazer. (Rolo: um grupo unido sem medo de falar).

Portanto o Grave nasceu disso, da necessidade de compartilhar deias e de conseguirmos crescer todos juntos. e temos todos os mesmos objetivos. Queremos conseguir entrar no mercado, conseguir viver como artistas e o Grave nasce como uma partilha entre nós e toda gente da cidade... e que quase poderia levar toda a gente a conseguir fazer alguma coisa que seja um pouco mais grandioso.

Pedro Rolo: Ao longo do tempo, começamos a falar uns com os outros e os 3 juntos e começamos a ver que temos um background, cada um, distante, mas com pormenores que bate todos... a coisa da rua da arte rua, que é o que mais inspirou... quando começo a ver... OK eu venho de uma cidade ultrapequena e mesmo se Caldas da Rainha é pequena, minha cidade lá em cima é mesmo, coisinha de nada. Não se passa nada, a nível cultural o pouco se faz, é coisa da rua, ele vem do Brasil do outro lado do oceano e tem a coisa da rua, Vicente teve na África do Sul, mas também veio para Portugal, para Albergaria, tinha as coisas da rua...  Vimos todos sítios diferentes, mas com um ponto grande que que rolou que foi o que nos marcou... Desde criança, brincar na rua. Nos como um coletivo aí acho que é a rua.

Vicente Faria: Se calhar foi algo rápido, não é? Nos conhecemos, começamos a dar e a falar sobre o trabalho de cada um e ver o que é e não sei... só fez sentido começar logo um coletivo e juntos e criar oportunidades para toda a gente.

Acho que o nome do coletivo veio ao meio de novembro e dezembro (2021), mas já sentimos a coisa do coletivo antes de ser o coletivo, mas isto também muito recente... de setembro, não é? 3 meses?

Observação da pesquisadora:  é uma coisa que dentro da minha pesquisa mesmo, no início eu queria partir do coletivo a ideia era iniciar um coletivo e no final eu descobri que Eu Não podia não o que tudo estava dentro de mim e Eu Não conseguia iniciar nada daquele lugar olhando para como vocês formaram o coletivo e são coletivo ele acontece assim de primeiro existia essa coisa orgânica perante depois de ter calma que temos alguma coisa já estava ali eu tive vou me dar um nome Pra Ele e Eu Não eu estava querendo impor um coletivo e chamar pessoas e as coisas não são desse jeito não é então isso é muito interessante ver como que funciona para analisar os processos .

Pedro Rolo: Isso então que eu estou a dizer e é verdade... já partilhei atelier com o Vicente na ESAD e foi no meu último ano de mestrado, mas também já tinha aquela partilha como colega de turma, de curso e havia aquela coisa de mostrar o meu trabalho... havia o trabalho dele e havia já uma certa partilha, mas só conheci o Vicente mesmo a sério também agora pra aí em setembro. Até porque, se calhar estava numa de “ok, estou a acabar isto. Estou mais focado nisto e não nas pessoas e nem no circuito todo e não quero andar muito de cabeça tonta...”  e depois estava aqui com os pés mais no chão e quando tinha os pés no chão foi quando começou a pandemia toda que fez outra vez aquela separação de “OK Agora é cada um para seu canto e deixo de ter outra interação com as pessoas...” e quando agora em setembro as coisas começam a mudar e conheci este pessoal todo e assim... “OK está na hora de fazer porque até as próprias Caldas (não que esteja a precisar diretamente de nós, mas) está a precisar de Malta como nós, estes coletivos de pessoal a querer fazer coisas e a querer mostrar e a outra vez pôr a cidade dentro da roda...

Lucas Veloz: Meu nome é Lucas, sou brasileiro, vim para cá também, na verdade eu vim para outros países da Europa, estava no momento perdido no Brasil em relação ao que faria com o meu papel na sociedade, que eu acreditava... muito jovem também, tenho problema de déficit de atenção e hiperatividade então eu sempre tive problema de aprendizagem na escola e a minha maior conexão sempre foi os recursos manuais, então sempre tive muita afinidade com trabalhos manuais desde pequeno tipo meu primeiro relato da escola era com corte e colagem. Muito pequeno, na pré-escola... Eu vim para a Europa pelo facto de que queria morar fora e ter outra visão de mundo da que eu tinha no Brasil e também pela minha mudança e construção do que sou hoje. E nesse meio surge também a cozinha que era uma expressão artística que eu via muito como arte e que quando comecei a trabalhar, me formei num curso de cozinha no Brasil, quando eu comecei a me deparar com isso profissionalmente eu vi que não era o que realmente eu enxergava e via que era que eu queria dar continuidade e depois disso vim conseguir vir para Europa, consegui trabalhar na área da cozinha e desenvolver e aprender muitas coisas na área da cozinha e também ter a minha grande deceção... Que antes disso eu já tinha conexão com artes das pequeno que a minha maior referência continua sendo acho e sempre foi música meu pai era músico ele era baterista de uma banda então eu cresci ouvindo meu pai tocar com banda dentro de casa. E essa sempre foi a minha maior referência artística que também foi o início da minha da minha carreira, vamos dizer assim, a introdução que eu comecei a tocando percussão, comecei a tocar os instrumentos e lá eu vi o Lucas lá, eu vi o meu personagem de hoje, o Veloz. Eu vi aquela pessoa que eu não enxergava em outras áreas e nessa breve passagem da história, quando eu chego na Europa e paro, depois de outros países, em Amesterdão eu já vim no intuito de dar uma introdução e querer viver somente da arte, na minha construção de carreira artística... quando eu comecei a pintar eu não pensava muito mercado, não pensava muito no jeito que funcionava porque não tinha conhecimento... Eu vim para Caldas, morava em Lisboa... vim para Caldas por causa da ESAD, mas nunca cheguei a cursar. Muitas vezes os diálogos internos na minha mente não me deixaram me inscrever ou chegar lá no ponto. Primeiro, por ser imigrante. Quando cheguei aqui não tinha ainda um documento necessário para que eu pudesse estudar com os mesmos direitos e o pagamento igual ao um europeu ou um imigrante ilegal no país, então isso foi o que me impediu de início e depois por outros fatores, depois de ter outros documentos, mas o gancho que começa assim a lembrar do início do coletivo para mim foi que eu cheguei em Portugal e é um amigo meu, que me visitou em Amesterdão, que era o país que eu morava antes e lá a gente teve um estalo junto de trabalho e ele era na parte de Mídias, de áudio visual e eu da parte de criação e pintura e Artes Plásticas... a gente teve um estalo de uma junção onde coisas que a gente enxergava que no nosso país não tinha (na minha cidade pelo menos)... tanta força (ou se tinha era nichos muito fechados) a gente quis criar um movimento disso e dessa união criei um coletivo com esse meu sócio, um outro parceiro, que foi o Porão que foi um coletivo que a gente alugou uma casa em Carcavelos (Lisboa) No distrito de Cascais e lá, nessa casa, a gente criou um movimento inteiro onde rondava tatuagem, pintura e música e outras expressões artísticas. Disso, tive conexão com o Pedro uma vez, pelo Instagram, e se aproximou. E num evento que a gente fez em Lisboa com o Porão né? E lá estava um ex-aluno da ESAD. Esse ex-aluno foi visitar o evento, a exposição que a gente tava fazendo e lá ele chegou e no meio do evento numa conversa que a gente teve gente se aproximou e falou que eu iria curtir demais. Ainda nem tinha havido o COVID, era antes do COVID, era em 2019 acho, no começo do ano e lá ele me mostrou por cima  ideia do que é que era aqui e isso ficou na mente quando teve COVID,  quando chegou a pandemia em Portugal assim forte (acho que foi março de 2020)  e daí lá a situação ficou muito complicada porque a maior parte era artista ninguém trabalhava em outras coisas e ficou muito difícil de se manter aí lá a gente teve meio que uma quebra do coletivo, eu vim com a minha com a minha mulher para cá e os outros integrantes do coletivo para outros lugares. Quando eu vim para cá a gente (eu e o Pedro) já tinha se contatado com pelo Instagram, mas ainda não se conhecia e eu vim para cá e consegui um espaço que eu atelier que é aqui perto que eu consegui alugar, um espaço onde eu ia ter meu próprio ateliê, ia conseguir compartilhar isso com outros artistas, não é? Tem outro artista trabalhando nesse espaço também com os seus criações e pensamentos... E foi isso um estalo de me voltar assim o intuito de criar um novo coletivo neste mundo que é o que tu falou, desse intuito de criar e de... acho que nesse momento, o que surge no Grave, e eu acho que é muito importante é o que o nome já: "Grave”: e que é um algo muito forte... positiva e negativamente. E eu acho que trabalhar com esses dois pontos é muito importante porque tem um impacto de primeira onde a pessoa não tem a certeza de que lá ela vai encontrar algo só positivo e porque eu negativo pode ser uma algo positivo, mas dependendo da pessoa que é que absorve aquilo pode ser por um lado ruína. Então esse intuito de montar ficou e quando a gente se encontrou, tipo eu comecei a conversar com o Pedro, o que fez a gente ter uma troca muito boa. Pela nossa diferença que eu acho que foi uma coisa que unia bastante gente, tinha muita diferença e muita coisa parecida a gente se encontrava lá naquela intersecção de opiniões... a gente tem um ponto muito forte que era as referências de rua, né? que é o grafite e o hip-hop e do movimento de arte urbana. E nisso a gente se aproximou e começou a trocar muitas ideias, né? Aí começamos a compartilhar e dava o leito e lá no atelier, o Pedro foi a primeira vez lá e fotografou. Fez uma intervenção lá de foto um de uma de umas pinturas que eu estava produzindo e isso até foi a primeira vez que a gente se viu e se conheceu pessoalmente... e daí nisso, neste momento, ainda, fui na ESAD pela primeira vez, entrar nas salas lá (eu fui com um aluno que levou, um colega meu) e lá conheci um Vicente, numa sala lá ele já gente teve uma conexão direta ali, eu olhei o trabalho dele na sala e já gostei muito.  Me identifiquei na hora. Lá a gente teve uma conversa breve, assim... conversamos um pouco, conheci o espaço dele, trocando também o Instagram e a partir disso começamos a trocar um pouco de ideia nas próximas semanas, se não me engano, e eu fiz uma exibição assim no Senhor Jacinto (uma exibição curta de 2 dias), o  Vicente foi uma pessoa que foi lá e também gostou e a gente teve essa interação e depois disso surgiu a vaga, dessas coisas do universo... foi acontecendo e surgiu a vaga do ateliê e eu falei pro Vicente e ele topou e entrou pro Atelier... junto quando o Vicente entra para o atelier... (acho que também é um ponto muito importante do crescimento do grave da União porque o Pedro era conectado e Vicente estava começando a se conectar) e aí que é o que que surgiu o Grave... O Grave surge da necessidade... quando a gente começou a se unir nós três, a gente começou a debater sobre opiniões diversas e sobre ideias sobre criações que cada um tinha e nessa União a gente se viu obcecado por algo que a gente precisava expressar junto, que a gente precisava ter essa comunhão junto, da troca... e esse aparecer para a sociedade, para Caldas, né? Principalmente... para as pessoas que estavam ao nosso redor aqui... mais perto. Desse intuito, a gente começou no pensamento de criar junto a gente teve... o Pedro também fez fotos lá do Vicente, na sala do lado do ateliê e nisso a gente começou a estar imerso na produção e não só do criar, mas também do antes do criar, na constituição... na materialização da ideia. Acho que isso foi muito importante e o coletivo surge disse dessa necessidade... e o nome também foi... coisas que a gente conversou e foi surgindo aos poucos... e a gente foi até... agora que bateu o nome grave que (a gente fez alguns encontros para isso) aí surge isso e acho que o grave (agora sendo mais breve) eu acho que esse é o ponto: é necessidade de expressar o coletivo não só a criação, mas a junção de ideias, o debate, as diferenças... acho que todos nós temos algo em comum, mas temos muita coisa diferente e acho que é isso que mantém forte e acho que isso também que é um dos princípios do coletivo sabe?

Mais um pouco sobre o encontro do Lucas com a ESAD

Lucas Velloz: Quando eu vim, quando eu cheguei em Caldas, na verdade eu fui a ESAD, perguntar na Secretaria sobre informações do curso... que eu tinha ligado e não tinha tido um bom atendimento pelo telefone. E fui lá conhecer e também acabei não tendo. Acho que isso também foi um ponto de bloqueio, que era o que eu cheguei lá e não consegui falar com a organização, né? A secretaria estava fechada, era só estava reservada aos alunos e era por telefone atendimento. Para quem não era (se eu não me engano) ou até para alunos também... (não lembro que em 2020) só cheguei, vi brevemente um pátio ali, o átrio da universidade e foi isso. Foi breve.

Relação escola e cidade

Pedro Rolo: Eu Estou Aqui há 10 anos e vi uma diferença enorme com o passar do tempo. Primeiro, estamos numa cidade que é uma cidade de cultura. Temos a cerâmica, que é uma coisa muito caldense, mas também é uma cidade super fechada. porque isso é uma cidade (e isso até foi uma conversa que esta semana com o segurança que costuma fazer coisas na Praça de Touros... (acho que essa é uma das Praças de Touros mais antigas da Europa... ou seja, estamos numa cidade da cultura das artes a cultura da tourada. Ou seja, isso é um choque dentro da cidade, entre artistas da ESAD ou não da ESAD. E com o passar dos anos também, notei que os alunos estão cada vez mais moles, no sentido de querer fazer, estão muito mais fechados. Enquanto os meus primeiros anos o pessoal encontrava-se todo mundo na Praça e podemos estar a noite toda a nos copos, mas a falar, a partilhar coisas... atualmente parece estar muito mais fechado e quando sai está numa só de copo e não falar um bocadinho mais do que é que faz... Eu ainda vivi uma era da ESAD em que o Caldas Late Night acabava na ESAD, a “Festa da Escola” ... foi para outros sítios lá está: eu como venho da rua, e de estar com pessoas e a partilhar coisas, acho que as novas gerações já são muito mais fechadas para o digital e só parecem que só sabem falar ali. E noto essa diferença de geração... Se bem que noto que este ano, este ano letivo que começou em setembro, parece que há um novo movimento e mais coletivos a surgirem mais pessoal a querer voltar ao que isto era.

Pois... mas também noto é uma coisa que é: quem está a fazer isto ainda não são os novos alunos, ainda é pessoal resistente que ficou nas Caldas. Estão a querer despertar outra vez o ambiente artístico. Estou à espera de que... pronto, que os novos (por muito que isto, não és a cidade dele e só venham aqui os 3 anos de estudar), dentro desses 3 anos podem sair de casa e mostrar e partilhar o trabalho... porque eu sou artista, não vou estar a trabalhar e estudar artes, não vou estar a fazer as coisas em casa, apresentar ao professor e ficar em casa. Vou tentar... olha! fazer uma exposição ali no Silos ou na toca ou onde me aceitarem... mas tentar mostrar o trabalho e partilhar.

E desde antes do COVID, já havia um bocadinho essa coisa que tu ias às exposições e também acabava por ver as mesmas Caras... ao mesmo tempo parece que isso começa a desmotivar o sentido de Porque é que estás expondo aqui se exponho aqui este mês e se expõe aqui daqui a 4 meses, são as mesmas pessoas que vão estar.  Parece que é um circuito fechado que é está tudo ali... agora já começo a ver pessoal novo a ver as coisas, já vejo novas Caras... mas o que é que são novas Caras, também? aqui fechada em casa quase 2 anos... Já Não Sei quem que é novo quem que é velho, né?

Causa-me confusão que em 2021 foi um ano letivo completamente online, ou seja, quem entra pisado para o primeiro ano na ESAD, está cada um na sua cidade ou seja, nem sabem o que é que as Caldas e ou o que é que era o ambiente mesmo das Caldas...

Vicente Faria: Apanhaste a ESAD como aluna de pós-laboral e eu fiz a licenciatura em pós-laboral. Em design gráfico são 3 turmas, uma de cada ano e depois tem a vossa turma  que nunca teve aquela ligação, muito menos entre anos e também isso acontece porque a escola não tem movimentos nenhum e comumente a noite as pessoas acabam por ser mais fechadas e embora a realidade da licenciatura é que a maior parte dos alunos não são trabalhadores, são mesmo só alunos. Só que como está, é mais fechado já não dá vontade às pessoas de conhecerem pessoas novas ou a expor aquilo que sentem e o que fazem e esse é problema do pós-laboral... a realidade do dia já é completamente diferente. Já há uma mistura...

Lucas Veloz: Acho que é um gatinho do COVID mesmo, do isolamento... acho que as pessoas estão saindo mais...

Sobre a arte em espaços que até então não era convencional fazer

Lucas Veloso: Eu acho que isso também é.… linkando com o Grave...  é esse o intuito... é que a arte seja inclusa, né? seja imersa para qualquer pessoa... acho que é isso... eu como não sou um aluno nem ex-aluno da ESAD, vejo esse ponto de União que aí se encontra e que é a gente ali fazendo ciclo expositivo na Toca... na Malaika né?, Já tive na Casa Antero, to na Galeria do turismo e acho que é  isso também... tipo... fazer com que essas pessoas que vão lá só para comer ou só para copos... elas também percebam que o movimento artístico da cidade é importante...

Isso é uma coisa que a gente falou na nossa última conversa... que eu falei lá Na Toca, que é um dos intuitos também que a gente tá agora estipulando.. é criando esse novo universo ali que já existia na Toca era o talk show. A gente tá trazendo isso como podcast... Vai trazer isso nos próximos meses... começar né? e isso também a gente (como Pedro falou ali), a gente está numa cidade de interior que a cultura é uma cultura tradicional, conservadora, elitista, da tourada e também do comércio da fruta e há aqui na cidade como em todas as cidades... Eu não conheço... mais acredito que a maior parte das cidades portuguesa existe feiras de velharia, no parque existe uma feira de velharias que todo o segundo domingo do mês está presente e desde quando eu cheguei aqui, acho que eu fui e vi e soube, pelo menos que eu que não estou inserido no meio da ESAD e não estou inserido no meio dos artistas, eu fui numa feira de arte que foi no MAGA (que o Nuno organiza lá com outras pessoas) que teve aquela feira que a gente Páscoa da exibição de uma feira de artes na Praça da fruta (muito pequena)…  é muito esporádica muito esporádica e acho que isso... por que não uma feira de arte na Praça da fruta todos os meses na Praça da Fruta ou no Parque... todos os meses como a praça a feira de velharias, né?

Então acho que aí é um ponto, que o nosso papel social, entre, como artista (que não deveria ser a gente a fazer, deveria ser algo estipulado pela Câmara ou organizado pela ESAD. Pelos órgãos... sendo gerido por essas grandes instituições...

Também outro ponto de a gente está batendo na porta com o grave e com cada trabalho pessoal dos artistas é trazer esse também outro ponto (que eu acredito) é furar bolha né? furar essa bolha que já existe dos artistas das Caldas que são os artistas que já são formados que já são mestrandos em arte que já saíram e continuaram em Caldas, os alunos que não é que estão presentes terminando o mestrado ou que estão lá cursando os novos alunos e as pessoas de fora entende? Enquanto eles não apresentam isso pra gente a gente tem que bater na porta até a porta quebrar, se ninguém abrir e é isso...