Entrevistada: Bianca Soares Dorini

Ex-aluna do mestrado em Gestão Cultural - ESAD.CR

Brasileira (Araraquara-SP)

Moradora Caldas da Rainha

Experiência ESAD.CR

Em termos educacionais foram experiências boas porque eu vim de  uma faculdade de artes no Brasil, uma faculdade pública de artes no Brasil, que não nos instigava a pensar sobre como que a arte pode ser um meio de subsistência portanto ela desenvolvia os talentos inatos mas não tinha ensinado a colocar isso no mercado de trabalho e aqui (pelo menos na ESAD) pelo menos um professor nos fazia pensar sobre isso e o que que, para além da nossa investigação para além do nossa das nossas hipóteses e das nossas hipóteses daquilo que a gente achava que seria bom para o mundo o que que isso poderia ser rentável para nós e o que poderia ser bom pros outros não só para a gente então em termos educacionais foi muito positivo. No entanto em termos administrativos eu sinto que não só a ESAD, mas a cidade como um todo, que diz aberta às novas pessoas e a todos; não está preparada para lidar com pessoas de outros lugares que não compreendem como é o sistema burocrático aqui e não fazem questão de te explicar. Portanto isso foi um pouco complicado de lidar porque em determinados momentos só dá vontade de jogar tudo para o ar e voltar. Então, nesse sentido foi desafiante e tem sido desafiante em termos de cidade agora, mas na ESAD isso também aconteceu.

Redes de convívio geradas na escola

De outros países, não. Do Brasil, basicamente. A nossa turma do mestrado até então era a turma com mais brasileiros que o mestrado teve. Já Não Sei mais as turmas que vieram a seguir, mas nós éramos metade brasileiros e a metade, portugueses, portanto era uma convivência bastante... entre nós, os brasileiros era uma convivência bastante intensa então, sim.

Tempo livre em Caldas da Rainha

Eu não tenho frequentado tantos espaços culturais. Eu frequento mais bares (acho que também por conta da idade) e as poucas vezes que eu frequentei esse ser foi porque outras pessoas sabiam da programação que eu acho a divulgação do dos espaços culturais na cidade muito limitada é uma comunicação que não chega a qualquer pessoa você tem que querer saber e às vezes a gente não vai procurar. Espera que chegue até nós também. Então não tenho frequentado tantos espaços culturais. Costumo frequentar bares e o parque.

Rede de relações

Completamente fora. A rede que eu tinha na ESAD era circunscrita apenas a minha turma. Eu não consegui fazer essa expansão das pessoas que eu que eu tinha minimamente uma convivência. Agora dá cidade, aí eu posso dizer que é mais da cidade do que da escola.

(a que atribui essa falta de relação com os outros alunos?)

É porque o nosso curso era pós-laboral e quase não tinha gente na ESAD. Éramos nós e os professores e uma outra turma e os poucos momentos que nós tínhamos de convivência com outros alunos era em momentos de saída. Então nós chegávamos a 5h30 e as pessoas estavam indo embora. Portanto, claro! Aí quando você é novo naquele espaço (pelo menos para mim) a tendência não é fazer amigos.  A tendência é reconhecer quem são as pessoas e isso é um processo que demora um pouco de tempo não que se o curso fosse durante o dia eu teria 1 milhão de amigos também. Não é isso que eu quero dizer! (Que não é muito do meu perfil). Mas eu acho que isso agravou bastante a situação

Relativo ao período de confinamento (COVID)

Sim. Mas engraçado que isso já parece até dado. Eu já nem me lembrava que houve essa situação do COVID, mas com certeza isso fez com que; mesmo dentro da nossa sala os laços não se mantivessem porque eles eram fortalecidos durante o período que estivemos juntos porque era uma convivência quase diária e bastante intensa porque eram muitas horas corridas. Mas a pandemia fez com que nós nos afastássemos e que as relações que eram novas fossem se perdendo. Que eu me lembre e a gente teve com certeza um semestre presencial agora o segundo semestre do primeiro ano já acho que foi... Mais pandemia do que presencial eu acho que a gente até tentou fazer presencial durante o período, mas não deu certo... Ou isso já é o segundo ano... Na minha cabeça já está confuso. Mas a gente teve muito mais tempo na pandemia do que presencial.

Perceção que tem sobre a implementação da escola no espaço da cidade

Zero. Do meu ponto de vista a escola influencia muito pouco a dinâmica da cidade. A influência que ela exerce sobre a cidade é mais num sentido a é mais um sentido de trazer pessoas para cá de certa forma um movimento turisticamente e traz uma certa uma certa novidade e enfim. Se você vê o perfil das Caldas ela nunca tem as mesmas pessoas não é uma cidade que se você voltar daqui 5 anos você vai encontrar as mesmas pessoas que eu tempo todo isso muda então ela traz esse caráter dinâmico para a cidade. Mas não que necessariamente isso seja numa relação com a cidade eu acho que é mais um efeito colateral do que propriamente uma relação e então do acho que essa é a escola não tem relação nenhuma com a cidade porque poucas pessoas sabem dizer o que é a ESAD fora da ESAD. Não vejo quase nenhuma conexão. Inclusive em trabalho porque a maioria das pessoas que se forma na idade não fica nas Caldas.

Onde a ESAD intervém no cotidiano da cidade

Eu acho que vale colocar isso e explicar isso aqui. Eu cheguei em 2019 e a pandemia foi em 2020, portanto eu estou começando a perceber como que seria (claro que nunca mais vai ser comer antes, mas) Como Seria uma vida normal na cidade porque foram 4 meses que eu tive de normalidade dentro da cidade. O quê pegou ao final de ano que não acontece tanta coisa. Acontece mais em Óbidos e cidades mais anexas, vilas, enfim...  Portanto eu acho que essa situação faz com que eu tenha um olhar (claro) completamente enviesado para a situação. Mas ao que eu pude perceber até agora é que a ESAD se mostra para a cidade no Caldas late Night. Porquê as pessoas sabem o que é o Caldas late Night e sabem que são os alunos da ESAD (a maioria pelo menos) ou que tem alguma ligação com a ESAD que nasceu na ESAD. As pessoas sabem a história do Caldas e associam a ESAD e o que eu sei de histórias era quando havia festas na idade que o pessoal da cidade podia frequentar. Então que eu saiba eram nesses momentos. Atualmente como já não há mais as peças na idade e voltou o Caldas late Night. O Ofélia por exemplo eu acho que ele tenta trazer essa dinâmica para a cidade. Sair da ESAD e trazer essa dinâmica para a cidade, mas eu acho que não se efetiva ou pelo menos durante o período da pandemia não se efetivou não sei se foi uma situação da pandemia, mas acho muito pontual e apenas poucas pessoas sabem ou só quem está envolvido sabe e vai assistir tem interesse em assistir. Por outro lado, eu tenho uma ligação forte com Silos* e sei que há existe uma dinâmica entre silos que é uma associação da cidade com a ESAD porque há um espaço que serve ideologias para os alunos considerando que ele já não consegue mexer teria dentro da própria ESAD.  Então é um espaço que tenta trazer a ESAD para a cidade, mas não é o inverso não é a ESAD que tenta se mostrar para a cidade

Relação ESAD e alunos estrangeiros

Não. Definitivamente não. Assim... (eu posso estar cometendo um grande erro aqui em falar isso) mas eu acho que é curioso. Inclusive eu acho que as pessoas se preparam mais para receber os estrangeiros que falem inglês do que os estrangeiros que falam a própria língua. Claro que em relação ao Brasil existe todo o estigma por trás do que é ser brasileiro e em especial que é ser brasileira e vir para Portugal. O porquê, a motivação de ter vindo para cá. Então eu acho que a escola às vezes se prepara melhor para receber alunos que não entendem o português e ai imagino que parecem até mais auxílio nesse caso, do que quem é brasileiro e acha que só pelo fato de a gente fala a mesma língua a gente entende o que o outro falando. E não necessariamente porquê não conhecendo a dinâmica você pode falar mil vezes em português que eu não vou compreender. Mas isso é muito com base no achismo. Eu não tenho certeza porque o que eu tenho conhecimento em relação a relação da ESAD com os estrangeiros é com base apenas na minha experiência.

* Silos Contentor Criativo.